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Em
Memória de Brizola, um Político com Visão Mística
pelo
Frater Velado (*)
Perdeu
o Brasil na noite da Terça-Feira 21 de Junho de 2004
uma das suas maiores figuras políticas de todos os tempos
e ganhou a História mais um Mestre do Humanismo ao qual
rendo minha sincera homenagem, com o máximo de respeito
e admiração. Ao contrário de muitos que nascem em berço
privilegiado e conquistam espaço unicamente para a concretização
e o engrandecimento de propósitos meramente egoístas,
Leonel de Moura Brizola veio ao mundo em condição muito
humilde e de tropeiro de burros tornou-se Engenheiro
às custas de seu próprio mérito, em um País em
que meros empresários bem sucedidos eram - e ainda são
- tratados de "Dr." sem possuírem esse
título. Homem íntegro, voltado para a Ética, fez da
política - com atuação sempre aberta e transparente,
nunca nas sombras - não um palanque de acesso a objetivos
pessoais mas profissão de fé pela Pátria. Extremamente
coerente jamais abriu mão de seus princípios e metas
legalistas e nacionalistas com os quais pretendia legar
ao Povo Brasileiro a sonhada ascensão a melhores condições
de vida. Era um homem de ações práticas - e não apenas
de discursos - e usou seus conhecimentos de Engenharia
no Rio Grande do Sul para fazer lá um Governo com G
maiúsculo, notavelmente eficaz. Lembro-me - na minha
antiga condição de jornalista - de que Brizola chorou
ao perder para Yvete Vargas a sigla do PTB, com a qual
sonhava poder construir um Brasil melhor chegando à
Presidência da República. Fundou, então, o PDT,
com uma visão ao mesmo tempo política e mística - fato
que muitos certamente desconhecem -, tanto assim que
no símbolo desse Partido (imagem ao lado) colocou uma rosa. Leonel Brizola
foi na verdade uma espécie de profeta e não foram poucas
as vezes em que testemunhei, ao longo do tempo, a realização
de suas previsões proferidas em pronunciamentos. Esse
homem de larga visão enxergava lá muito adiante e sabia
que somente com Educação pode um povo ser libertado
das desfavoráveis condições terceiro mundistas. O que
mais me impressiona em Brizola é que era um homem bom,
que falava a verdade, e precisamente por isso foi perseguido
e injustiçado. Perseguido por altos empresários brasileiros
comprometidos com o entreguismo e a espoliação nacional
e injustiçado por políticos versados na hipocrisia mais
abjeta, além de ter sido sordidamente traído por outros,
a quem fez e ajudou, e que preferiram se acumpliciar
com a conveniência e e a venalidade. Brizola sempre
teve visão crítica muito aguçada e manteve a isenção
acima de tudo, sendo profundamente justo. Não temeu
se expor - e se queimar politicamente - colocando sua
experiência administrativa a serviço também do Estado
do Rio, um Estado simplesmente ingovernável tal a extensão
de suas mazelas sociais e problemas crônicos decorrentes
de vários fatores, entre eles a condição de ex-Capital
Federal. Ser Governador do Estado do Rio significa,
na prática, liquidar pretensões de ascensão à Presidência
da República, tais as medonhas dificuldades desse Estado.
Brizola, porém, nunca se intimidou com esse risco simplesmente
porque ao mesmo tempo em que desejava ser Presidente
do Brasil também queria ajudar, de maneira efetiva,
as populações pobres do Estado do Rio, protegendo, inclusive,
os negros e os miscigenados da discriminatória sanha
policial. Brizola cometeu muitos erros, por ser humano,
e fez a transição para o Plano Cósmico aos 82 anos de
idade sem ter realizado não um mero seu sonho,
mas o seu sonho para o Brasil: chegar à
Presidência. Em 59 anos de militância política e ao
longo de três Governos provou sua honestidade e não
há quem possa acusá-lo de qualquer malversação dos fundos
públicos. Isso, em um País de tantos corruptos, chega
a ser impressionante. Brizola sai da vida e entra na
História deixando um legado nacionalista de rara grandeza,
um exemplo a ser seguido por qualquer homem de bem que
queira a emancipação do País em que vive. Pregou a justiça
social, com amor ao próximo, sempre dentro da legalidade,
e é uma das pedrais fundamentais da democracia que ora
existe neste Brasil de tantos contrastes. Uma das coisas
que acho realmente notáveis em Leonel Brizola é que
procurava trazer para dentro do PDT políticos em potencial
que fossem dotados de sentimento e não apenas possuíssem
preparação teórica. "O sentimento" - dizia
Brizola- "é algo que nasce com a pessoa; é dela,
não pode ser comprado ou fabricado". Sim, Brizola
tinha uma visão mística da política, por paradoxal que
isso possa parecer. Mas pensem bem: na verdade não deveriam
os políticos, como artífices de leis e gestores de comunidades
serem orientados por seu Eu Interior? Não é isso Misticismo?
Nunca
fui do PDT - ou de qualquer outro partido político no
Brasil - e minhas considerações sobre a figura de Brizola
são isentas. É verdade que representam apenas minha
visão e opinião pessoais, mas estou sendo sincero. Ao
saber da morte física de Brizola senti-me na obrigação
de escrever este artigo - também e principalmente porque
minha esposa Iolanda (Mestre Apis) achava que Leonel
Brizola era o líder adequado para um Brasil melhor.
Em uma dessas eleições, lembro-me de que ela, já estando
para morrer mas ainda andando, conseguiu se arrastar,
amparada em mim, até à Seção Eleitoral de São Francisco,
em Niterói, para votar em Brizola. A eleição ficou para
segundo turno e eu, que não era brizolista, ia votar
em branco. A essa altura, Iolanda já estava à morte
e não podia ir votar. Mas me pediu: "Pai, eu sei
que você votou em branco, mas quero lhe pedir um último
favor: vá lá hoje e vote no Brizola, por mim".
Eu fiz isso. Vários anos mais tarde, olhando para o
Brasil já da condição de eremita, constatei que aquele
realmente havia sido meu melhor voto e compreendi que
as idéias de Brizola eram idéias muito boas para um
Brasil melhor. Votei em Lula para Presidente nesta última
eleição, mas em uma eleição entre ele e Brizola teria
votado em Brizola, por sua maior experiência executiva
na administração pública. Ser Presidente em país de
Terceiro Mundo é carregar uma cruz pesada, mas considero
que Brizola, com sua coerência e sua capacidade de não
abrir mão de princípios fundamentais teria sido o Libertador
do Brasil, apesar de toda a globalização e das imposições
da hiperpotência, os Estados Unidos, que vem se posicionando
acima da lei. Estava preparado para isto, há muito tempo. Por sua pureza, Brizola passa à História
como o político que amou o Brasil acima de tudo e assume
uma figura de personalidade mundial que deve ser reverenciada
com muito carinho. Foi traído em nunca traiu. Foi injustiçado
e nunca injustiçou. Para ele, independente do tipo de
dia, o Sol sempre nascia e a esperança haveria de existir
eternamente. Leonel Brizola foi um místico em ação efetiva (como
político)
pelo bem do próximo.
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A Última Profecia, no "Epitáfio da Esperança"
Em 6 de Maio de 2004 Brizola publicou um artigo intitulado "O Epitáfio da Esperança", que começa assim: "Escrevo horas antes da votação, pela Câmara dos Deputados, do vergonhoso salário mínimo de R$ 260 proposto por Lula. Será surpresa se ocorrer o improvável e a maioria dos parlamentares não se curvar às pressões do Planalto, que ameaça retaliar e punir aqules que, ao contrário do Presidente, honrem seus compromissos com os eleitores". Mal o corpo de Brizola baixava à sepultura e sua última previsão se cumpria literalmente, em um dia de vergonha e luto nacional: salário mínimo de 260 reais. Para ler o artigo de Brizola vá a este endereço, no Web site do PDT: http://www.pdt.org.br/partido/tijolao35.asp
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NOTA:
(*)
O Frater Velado é Abade da Ordo
Svmmvm Bonvm
Para o Terceiro Mundo e sua biografia está online em http://svmmvmbonvm.org/velado/ .
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